Tuesday, August 29, 2006

Voto consciente é voto nulo!

Diário de Cuiabá - Quarta Feira, 16 de Agosto de 2006 Edição nº 11592 16/08/2006
Voto consciente é voto nulo
ANTÔNIO CAVALCANTE FILHO
É normal em ano eleitoral o acirramento dos debates políticos nos mais diferentes segmentos sociais. No calor dessas discussões, os trabalhadores poderão observar com mais atenção o antagonismo irreconciliável dos interesses de classes. Este período é excelente para os setores explorados desmistificarem a "pregação" abstrata da classe dominante de que vivemos numa democracia na qual todos os "cidadãos" são iguais perante a lei com os mesmos direitos e deveres. Com o circo eleitoral já instalado e tendo o voto como panacéia para todos os males, está montado o cenário perfeito para refletirmos com profundidade se realmente temos um governo do povo, pelo povo e para o povo. Vai ser aí, no meio das mentiras e palhaçadas dos comícios ou dos programas eleitorais, que iremos nos perguntar: Afinal, o Artigo 1° da nossa Constituição que afirma que o Brasil se constitui em Estado Democrático e de Direito, tendo como fundamento a cidadania e a dignidade da pessoa humana, é verdadeiro ou apenas uma ficção? Nas campanhas eleitorais se revelam mais claramente os interesses ocultos das elites governantes. É nesse período, que o maquiavelismo corrupto dos politicóides profissionais fica mais nítido, visto que eles escancaram, sem nenhum pudor, suas demagogias e cinismos. Portanto, esse momento exige de cada um de nós uma especial atenção. Os graves problemas sociais somados à imoralidade reinante em todos os escalões da república, convidam-nos a uma reflexão não apenas da estruturação social, econômica e administrativa dessa sociedade hipócrita, mais principalmente do atual modelo de representação política. Refletindo juntos, os explorados, os excluídos e humilhados desse sistema poderemos descobrir se há ou não política além do voto. Juntos haveremos de compreender claramente que: eleição é o mensalão dos ricos, o voto é a migalha dos pobres. Caminhando e refletindo juntos podemos ir mais longe ainda para afirmar com convicção que: Voto consciente é voto nulo. Independentemente dos mandarins desse Estado gostarem ou não, votar nulo é a maneira pacífica e legítima do povo dizer não a este sistema corrupto e opressor que se tornou legal. Votar em candidatos, votar em branco ou anular o voto são manifestações da vontade dos eleitores prevista na legislação. No curtíssimo momento em que o "cidadão" entra na "cabina indevassável" e, por alguns segundos da sua vida ele exerce, como dizem, a sua mais "plena soberania", ele pode digitar o que ele quiser na urna. Só não pode, é claro, despedaçar a maquinazinha. O coerente da nossa parte seria a total abstenção ao voto, porem somos obrigados por lei a praticar este ato tão inútil para promover qualquer transformação efetiva da sociedade. Mesmo assim, votando nulo, estaremos dando os primeiros passos rumos ao voto facultativo. Não importa em quem se vota, continuar participando desse processo falsamente democrático, com o voto impositivo, é legitimar e avalizar as políticas nefastas que aí estão. No entanto, com a força do voto nulo, estaremos exigindo uma profunda reforma política, já que os politiqueiros carreiristas não têm autoridade moral para fazê- la. É claro que os profissionais da politicagem, sejam eles da direita ou da esquerda, domesticada, fascista ou pseudo-socialistas, se irritarão quando o assunto em discussão for o voto nulo. É que, esta casta de usurpadores privilegiados, fez da representação política um negócio lucrativo e ilícito; de enriquecimento rápido e fácil para eles, seus familiares e apaniguados. Evidentemente esses aproveitadores jamais irão aceitar perder as tetas gordas do poder. Esta irritação já é bem visível em Mato Grosso. É como se votar nulo não fosse uma opção legítima do eleitor consciente. Esses falsos democratas, guardiões da democracia dos ricos já se apresentam por aí como verdadeiros cães de guarda do dito voto útil. Segundo eles, a proposta do voto nulo, "atenta contra a principal e talvez a única arma do eleitor: o voto". Só que esquecem de avisar que o voto útil pode ser também uma arma apontada contra o próprio eleitor. Como se já não bastasse a obrigação de votar, fazendo de um direito, um dever, ainda há aqueles que querem nos fazer acreditar que devemos votar em qualquer um, nem que seja no menos pior. Esses parecem não se lembrar que mesmo os menos ruins, quando eleitos pioram. O voto obrigatório não combina com democracia. Voto obrigatório é ditadura disfarçada, que no Brasil, passou a ser sinônimo de garantia democrática. Geralmente esses os fascistas aparecem vomitando sapiência, como se eles soubessem tudo, enquanto nós, "pobres diabos", nada soubéssemos. Para eles somos apenas os Zé-manés, as Marias, as Amélias, os Paraíbas, os Cearás, uns João-ninguém, os desavisados da vida. Os fascistas não conseguem esconder o seu desprezo com os trabalhadores. Eles não têm a menor consideração para com a classe que lhes alimenta e lhes servem, do nascimento até a morte. Porque será que esses sabichões facistóides ficam tão raivosos quando propomos discutir o voto nulo? Será que não confiam mais em seus currais eleitorais, nos eleitores de cabrestos e nos seus votos comprados? Não importa! O importante é reafirmar que sem liberdade para o eleitor decidir conscientemente, se deseja ou não votar e como votar, a democracia se resumirá nesse arremedo que aí está. Já que fizeram do direito de votar uma obrigação; pelo fim dos sanguessugas, dos mensalões, dos valeriodutos, dos caixas dois e dos quinhentos anos de patifarias, e por democracia de fato, conscientemente votarei nulo como um dever. Combate a Corrupção – MCCC

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